28/05/2009


Informações de Segurança II

Inspirado no cartão de segurança da Gol Linhas Aéreas... Coisas a se fazer quando problemas acontecem num vôo:

 

 

Passatempo

 

 

No primeiro caso você pode fazer uma macumba na mini-encruzilhada dentro do avião. Só vale se as nuvens estiverem carregadas.

 

No segundo caso você pode brincar de escorrega. O executivo não gostou da brincadeira e foi chorar pra mamãe. O tio de verde tá dando a maior força pra galera. Note que, caso o seu corpo rejeite a gravidade, eles indicam com uma seta no escorrega com a direção de onde precisa ir.

 

 

Gincanas

 

 

Você também pode brincar de saber se consegue colocar a máscara de oxigênio nos 10 segundos propostos. Em você e numa mina que esteja do teu lado. As regras são:

 

1.a: respeitar a seta;

2.a: levantar com o cinto afivelado pra colocar a máscara na mina;

3.a: não vale fumar usando a máscara, hein?

 

Esse tio de verde está se divertindo à valer com essa farra. Ele tá em todas. Mas na última ele está de mangas curtas porque o clima esquentou entre ele e a mina.

 

 

Encare os fatos

 

 

Caso não queria brincar com os coleguinhas, não adianta chorar nem ficar deprê, principalmente você aí da última cadeira. Seu filho não tem nada a ver com as suas dificuldades para se socializar.

 

Mesmo assim, siga as regras, principalmente a de não fumar entre as pernas.

 

Só um toque, senhora. Sapato preto e cinto vermelho não combinam. Aliás, o que a senhora está fazendo com esse sapato? É proibido o uso dele, não está vendo o aviso em cima da sua cabeça?

 

Aliás, o avião está na vantagem. Ele pode cair na água e na relva, mas você não pode usar salto nem dar um tapinha.

 

PS. Impressão minha ou os caras da segunda e quarta fileira compram roupa no mesmo lugar?

 

PS2 (lúcido). Posso estar errado na interpretação do último desenho. Fizeram um esconde-esconde invertido aí. Quem foi se esconder foi o cara da segunda fileira.

Escrito por Oscar Filho às 09h25
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25/05/2009


Baú

Em dezembro de 1997 participei do 12.o Concurso de Contos e Poesias da minha cidade, Atibaia. Por um lapso crítico, ganhei 1.o lugar com um conto cujo título é o mesmo deste post e representei a cidade no Mapa Cultural do ano seguinte. Aí não levei nada, só um diploma de participação.

 

Então dá uma lida, vê o que acha e dê uma comentada.

 

Baú


Sempre ouvi mamãe falar que meu pai era o garoto mais rebelde da escola. Papai era aquele tipo de homem que não levava desaforo pra casa. Se alguém mexesse com ele, fosse pelo que fosse, ele não pensava duas vezes antes de chacoalhar o crânio do infeliz. Ele era capaz de bater em cinco, sozinho. Era um amontoado de músculos.

Mas, ao contrário do que pensam, ele era bastante inteligente. Era formado em psicologia. Começou também o curso de sociologia. Até hoje não sei direito o porque da não conclusão do curso.

Sempre adorei meu pai. Ele era como um Deus pra mim. Graças a ele eu era o cara mais respeitado da escola. Era tão forte quanto ele. Aliás, até hoje eu sou assim. Ele é meu ídolo. Aprendi tudo com ele. Como dar chave de braço, soco na nuca, joelhada na barriga, etc.

Lembro-me como se fosse hoje o dia em que meu pai morreu. Chorei bastante.

Há uma história que eu só fiquei sabendo depois de um ano de sua morte: Alguns dias antes, papai deu para mamãe o baú que ele tinha desde os dez anos de idade. Lá estavam as coisas que o meu pai mais gostava. Mas nem minha mãe nem eu sabíamos o que havia lá dentro. O baú era pra ser enterrado junto com ele. Ele sempre esteve fechado com um daqueles cadeados com segredo. Só ele sabia a senha.

Agora vem a parte que eu não sabia. Mamãe não enterrou o baú. Guardou-o porque algum dia, segundo ela, poderia ser útil para alguma coisa. E foi. Ô se foi!

Um ano depois, exatamente no aniversário da morte de meu pai, mamãe, sofrendo com minha tristeza, deu-me o baú. Pude sentir o cheiro de papai naquele momento. Era como se todo sofrimento tivesse acabado naquela hora. Simplesmente não acreditava que aquele baú estava nas minhas mãos. Poderia saber os segredos de infância de meu pai.

Corri para o quintal. Tinha que abrir aquele baú de qualquer forma. Peguei o pé-de-cabra na garagem e arrombei o cadeado.

Abri vagarosamente o baú. Estava uma tarde escura. Eram quase dezoito horas. Comecei a sentir gotas de chuva na minha cabeça. Seria papai furioso lá em cima? Seria ele que não queria que eu visse o que continha o baú???

O tempo começou a fechar. Foi tudo muito rápido. Escutei um barulho! Era um raio que tinha caído na árvore do vizinho. A árvore estava se partindo. Estava caindo sobre mim. Consegui tirar o baú e também me salvei. Talvez papai não estava mesmo gostando que eu invadisse sua individualidade. Mas o que havia no baú???

Levei o baú para o meu quarto. Chovia muito. Papai realmente estava furioso. Mas poderia ser coincidência. Apenas começou a chover exatamente na hora que eu estava abrindo o baú.

No quarto fiquei olhando para aquele baú. Estava me arrependendo de tentar abri-lo. Mas precisava saber o que tinha lá dentro. Era uma dúvida que eu tinha há anos.

Abri. Fechei. Abri. Fechei de novo. Abri um pouco. Fechei rapidamente. Abri novamente. Fechei com força. Fui até o quintal, peguei o pé-de-cabra. Subi até meu quarto e arranquei a tampa do baú. Daquela forma não poderia mais fechar aquele baú.

Não aconteceu nada. Papai não fez nada. Supus, então, que a chuva e o raio eram pura coincidência.

No baú pude encontrar uma coleção de bolinhas de gude; de figurinhas; de moedas antigas; algumas fotografias; várias cartas; um sapato muito, muito velho; revistas; baralho e um tipo de diário.

Comecei ler algumas cartas, ver umas moedas, folhear algumas revistas, mas sentia o diário me chamando: LEIA-ME, LEIA-ME. Muito estranho!

Abri. Estava escrito na primeira página: "Minha vida e meus amores”. Fechei. Abri. Fechei. Estava sentido o tal do remorso. O mesmo que senti quando abri o baú.

Abri outra vez. Fechei. Abri e arranquei a capa. Agora tinha que ler.

Havia um índice. O diário não era tão grande. Havia algumas folhas em branco no fim.

O índice: Minha Infância, Meu Primeiro Emprego, Meus Sonhos; Meus Amores, Meu Casamento, Meu Filho. Não havia mais nada.

O capítulo que mais me chamou a atenção foi “Meus Amores”.

Papai era o rapaz mais visado pelas garotas da escola. Era um homem bonito, brigão, tinha mil mulheres aos seus pés. Será que ele já se apaixonou, além da mamãe, por outras garotas? A resposta estava naquele capítulo.

Olhei a página. Abri na página. Fechei. Abri. Fechei. O tal do remorso de novo me corroendo por dentro. Bom, já tinha visto tudo dentro do baú mesmo, algo mais, algo menos não faria diferença. Resolvi ler.

O Capítulo começava assim:

“Meu primeiro amor verdadeiro, foi ainda na infância. Seu nome era Roberto Campos. O amei por anos. Depois veio o Carlão Soares...”

Surpreso e decepcionado, parei de ler naquele instante.

Escrito por Oscar Filho às 13h38
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22/05/2009


Atropelamento

Na minha vida já aconteceram coisas bizarras. Elas estão resumidas na BIOGRAFIA do meu site. Agora eu vou destrinchar uma delas.

Aos finais de semana, eu sempre saia na pra brincar rua com uma galera lá em Atibaia. Num desses dias, estava rolando um pega pega quando, num certo momento, tudo pareceu ficar em câmera lenta. As folhas das árvores se mexiam devagar, as pessoas olhavam pra mim devagar, o som deles me  chamando chegava abafado. Quando virei pro lado eu vi bem de perto um negócio grande, com dois olhos opacos, uma respiração ofegante, uns pelos na cabeça e outros maiores no queixo. Aquele rosto, aquela cara parecia um... parecia não. Era um CAVALO!

Mas ele não estava sozinho. Junto com ele, tinha uma carroça. E não era uma carrocinha, era uma daquelas com amortecedor e tudo. Aquela carroça devia alcançar uns 14 km/h.

E não era só o cavalo e a carroça, tinha um homem guiando o cavalo. E ele podia ter desviado, mas veio pra cima e eu fui jogado no chão.

Só quando eu estava no chão é que eu me dei conta que uma CARROÇA estava passando por cima de mim. Nem sei como eu consegui agüentar o peso daquele negócio. A sensação de câmera lenta já tinha passado. Por que não uma Ferrari. Eu morreria, mas eu teria moral pra contar pros outros.

Pro cara da carroça tava tudo bem, afinal, ele tinha amortecedor naquele inferno. Só faltava ter airbag naquilo.

E eu ali, sem me mexer. A mãe de um dos meus amigos surgiu do nada, deu uns “tapinhas” nas minhas costas e disse:

- Pronto, pronto!

“Pronto” o que? Por que as mães tem mania de falar "pronto" quando as crianças se machucam?

Com a outra mão ela me estende um copo d’água pr’eu beber. E eu pergunto: PRA QUE um copo d’água? O que um copo d’água pode resolver na minha vida depois de uma carroça ter passado por cima de mim? Era um copo de água benta, é isso?

Daí eu ouço:

- Quer que eu te leve pro hospital?

Eu olhei pra ter certeza se era a pessoa que eu tava imaginando me oferecendo pra levar pro hospital. Sim, era o dono da carroça. Só me imagina indo pro Hospital de CARROÇA?

Levantei com uma dor incrível e vi o cavalo olhando pra mim. Me deu a impressão naquela hora que os animais riem. E parecia um riso sarcástico. Eu acho que ele achou tão engraçado o que ele tava vendo que acabou defecando de tanta excitação.

Quando eu achei que não dava pra ir além no quesito "se fuder", o cara tira um paninho do bolso... Tipo perfex, sabe? Era pra limpar a marca do pneu da carroça do meu rosto. Aí sim ele podia usar a água do copo, mas ele preferiu umidecer dando uma cuspida no paninho!

Depois ele tirou um Gelol... de dentro de uma MALINHA DE PRIMEIROS SOCORROS DA CARROÇA. Quem anda com uma mala de primeiros socorros numa carroça? O cara era atropelador profissional só pra poder usar a malinha?

E outra, Gelol??? Eu achando que estava com as costelas quebradas de dor e ele querendo fazer massagem?

Joguei o Gelol longe e o cara ficou puto comigo. Subiu na carroça e saiu gritando:

- Você é muito sem educação... (mandando aquele beijinho pro cavalo andar) Moleque ingrato! (outro beijinho) No meu tempo não era assim. (outro beijinho)

Meu pai foi me buscar. Demorou tanto pra me atenderem no PS que teria sido melhor eu ter ido de carroça, teriam ficado com dó de mim e me atendido mais rápido.

 

PS. Pronto socorro pra quem não sabe.

Escrito por Oscar Filho às 15h37
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19/05/2009


Informações de Segurança I

Momentos antes de um avião decolar, as aeromoças nos informam como devemos proceder para nos precaver contra possíveis acidentes durante o vôo.

 

Além daquela coreografia que elas fazem, existem cartões com informações de segurança "nos bolsões à sua frente".

 

Dia desses peguei um pra realmente prestar atenção, foi da Gol Linhas Aéreas. Tirei umas conclusões e vou repassá-las pra você em capítulos, sendo este o primeiro:

 

APERTANDO O CINTO

 

 

Eles ainda insistem em nos ensinar a apertar e desapertar o cinto de segurança. Eu fiquei completamente indignado com isso. Pensei muito:

 

- Será que existem pessoas que precisam de desenhos pra saberem como devem apertar o cinto?

 

Passado um tempo, eu me senti extremamente preconceituoso pensando isso. Portanto vou postar aqui embaixo a maneira tradicional de se amarrar um cadarço, caso não se lembre.

 

 

 

PS. Não faça isso com o cinto do avião. Nem com o do carro!

Escrito por Oscar Filho às 16h33
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15/05/2009


Errando

Há algumas semanas, o CQC fez um dossiê sobre a vida de cada um dos 7 homens de preto até a data de estréia do programa.

 

A minha história é essa:

 

 

 

 

A questão é que nem tudo foi inserido nesse dossiê. Em 2005, Henrique Santilli fazia sua conclusão de curso com o projeto de ficção interativa chamado Em Aberto.

 

Eu fiz uma participação no episódio Incidente no Lago onde eu interpretava um policial. Ainda não tenho certeza se o casting foi bem feito.

 

Clica no link aí em cima e depois veja o vídeo aqui em baixo. Perceba que eu apareci mais nos erros de gravação do que no episódio em si:

 

 

 

Take 5: "Arruma o rabo da Sueli que tá torto"

 

A atriz que interpreta a mãe da protagonista e que não para de rir chama-se Suelli de Lima. Até hoje não sei do que ela ria tanto. Será que alguém conhece pra eu poder saber o motivo?

 

PS. Eu estava usando MUITA maquiagem. Talvez fosse esse o motivo das risadocas dela.

 

PS2. Cabelo e Maquiagem: Eduardo Fernandes e Adriana Ficher

Escrito por Oscar Filho às 14h13
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12/05/2009


Analisando músicas

Eu gostaria de dividir umas impressões que eu sempre tive em relação à algumas músicas. Tem umas que eu nunca entendi o porque delas existirem. No caso aqui serão 3.

Por exemplo, a música Maracangalha do Dorival Caymmi:


“Eu vou pra Maracangalha, eu vou
 Eu vou de ‘liforme branco, eu vou
 Eu vou de chapéu de palha, eu vou
 Eu vou convidar Anália, eu vou

 Se Anália não quiser ir
 Eu vou só, eu vou só
 Se Anália não quiser ir, eu vou só
 Eu vou só, eu vou só sem Anália, mas eu vou...

 Eu vou pra Maracangalha
 Eu vou pra Maracangalha
 Eu vou pra Maracangalha
 Eu vou...”



Cacete, ele fica a música inteira falando que ele vai, que se o inferno da Anália não for ele vai só, fala mais 4 vezes que vai e no fim ele termina com reticências. Quer dizer, fica no ar se ele vai ou não. Só podia ser um baiano pra compor uma música inteira pra decidir só no final que... talvez...

 

 

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Outra música que eu acho de uma poesia sem igual chama-se Pense em Mim conhecida pelas vozes de Leandro e Leonardo. Ao final da música:



“Vamos pegar o primeiro avião
 Com destino a felicidade
 A felicidade pra mim é você”



Se você entra num avião é pra você ir pra algum lugar, no caso o lugar é a “felicidade”.  Só que a “felicidade” pra ele é ELA!!! Como é que ele convida alguém pra entrar num avião cujo destino é essa pessoa que ele tá convidando?

1.a opção – Ele está convidando a garota a fazer uma viagem interior dentro de si própria, um lance de auto conhecimento;
2.a opção – Quer transar;
3.a opção – A letra é tão genial que eu não consegui entender o recado.

 

Ouve só:

 

 

 

 

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E a última... que é a mais bizarra pra mim. O Renato Russo é tido por alguns como gênio. Realmente muitas letras dele são muito bacanas e inteligentes, mas... atente ao pedaço da letra de Faroeste Caboclo que diz:


“Ficou cansado de tentar achar resposta
 E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.

 E lá chegando foi tomar um cafezinho
 E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
 E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
 Mas João foi lhe salvar

 Dizia ele: ‘Estou indo pra Brasília
 Neste país lugar melhor não há
 Estou precisando visitar a minha filha
 Eu fico aqui e você vai no meu lugar’
 E João aceitou sua proposta
 E num ônibus entrou no Planalto Central”


Quer dizer ele foi pra Salvador, encontrou um boiadeiro que precisava ir pra Brasília. Além de, na opinião dele, não existir melhor lugar NO MUNDO do que Brasília, ele PRECISAVA visitar a própria filha.

 

Absolutamente DO NADA o boiadeiro resolve ficar em Salvador e a passagem pro João ir no lugar dele. O boiadeiro conhecia o João? NÃO! Então sabe-se lá o que o João poderia fazer com a filha dele!

 

 

 

 

O certo seria:

 "Dizia ele: ‘Estou indo pra Brasília
 Neste país lugar melhor não há
 Estou precisando visitar a minha filha

 Eu vou pra lá e você vai se ferrar'"


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PS: Nessa gravação aqui embaixo o Caetano Veloso rasga um elogio forte pro Zeca Pagodinho que não faz a mínima questão em devolver. A única coisa que o Zeca diz é: "Valeuuuu". Prestenção:

 

 


VALEUUUUU!!!

Escrito por Oscar Filho às 14h18
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08/05/2009


Dia das Mães

Domingo agora é dia das mães e me pediram para contar umas histórias engraçadas sobre a nossa relação, então esse será o post mais curto deste blog porque eu não tenho histórias engraçadas para contar sobre ela...

 

...

 

Se bem que...


Por exemplo, minha mãe me dava uns castigos meio inusitados. Uma vez eu ganhei uma bola de praia daquelas que o Kiko tem, sabe? Ela resolveu me castigar só porque eu chutei a bola dentro de casa e quebrei o liquidificador e a batedeira que estavam em cima da geladeira. O castigo foi me deixar pelado fora de casa. Isso é um castigo muito grave quando se tem 9 anos, a menina que você gosta passa na porta da sua casa com a mãe dela e quando está muito frio. Tudo ao mesmo tempo.

Uma vez... eu não lembro o que eu fiz, mas deve ter sido algo muito grave pelo peso do palavrão que ela soltou. Acho que foi algo relacionado a cozinhar 3 tubos de superbonder na panela de inox dela pra ver se realmente nada grudava naquilo. Quando ela viu a cena, gritou: SEU FILHO DA PUTA!!!

E eu tentava ajudar minha mãe. Houve uma época que ela estava querendo vender a casa que eu nasci para mudarmos pra uma casa maior. Até onde eu me lembro, realmente era um lugar bom para morar. Os interessados estavam gostando da casa e ela estava exaltando as qualidades:

- Esta casa é perfeita, não tem infiltração, a cozinha é grande...

- O único defeito é cupim, né mãe?

E chutei uma porta que caiu inteira pra dentro do banheiro.

Eu tentava ser generoso e ela não entendia. Num dia de inverno ela me pegou com a marreta do meu pai abrindo um buraco na parede pro gato poder entrar. Dias depois ela apagou o isqueiro da minha mão que eu ia jogar num montinho de mato seco que eu coloquei no meu quarto com carpete porque eu tava com frio.

Um dia ela teve que chamar a polícia porque eu sumi da escola onde eu estudava. Ela não precisava ter feito isso porque eu já tava em casa rindo dela chegando numa viatura.

Ela me ensinou um monte de coisas. Tinha um boteco perto de casa e eu achei estranho quando eles fecharam as portas com um monte de homens e mulheres lá dentro. Fui perguntar pra ela porque eles tinham feito isso e ela disse que aquelas pessoas trabalhavam tanto que até dormiam no serviço. E eu disse:

- Tipo um puteiro?

Que trabalhavam bastante ela estava certa, mas se tem uma coisa que eles não faziam em serviço era dormir.

Uma vez a minha mãe me esqueceu no parque de diversões. Fiquei muito triste e ela tentou contornar a situação dizendo que me esqueceu lá porque eu era muito pequeno e não me enxergou.

Num domingo meu pai estava viajando e eu pedi para ela me levar para passear. Ela me levou num centro espírita. Ela tem um senso de humor que até hoje eu fico tentando decifrar.

Em 2002 eu fiz uma peça chamada “Toda Nudez Será Castigada” do Nelson Rodrigues. Passei uns 2 meses para achar a calça exata pro meu personagem Patrício. Era uma calça branca de época com um aspecto de muito usada. Tinha um furo na bunda que eu achava perfeito pro que eu tinha concebido pro personagem. No dia da estréia da peça eu procuro a calça e cadê? Ela tinha jogado fora porque a calça estava rasgada.

Minha mãe tem mania de me pedir para eu levá-la para os lugares que ela quer, mas ela não sabe onde são. Então ela fica gritando dentro do carro em cima das curvas:

 

- VIRA AQUI! NÃO, ALI, ALI...

Meus pais se separaram quando eu tinha uns 7 anos. Sempre morei com meu pai, só que eu ia visitar a minha mãe sempre que eu podia. Eu tinha a chave da casa dela. Um dia a casa dela foi assaltada e entre as coisas roubadas, que não tinham valor quase que nenhum, tinham coisas minhas, principalmente roupas e bem aquelas que eu mais gostava de usar. Ela teve que trocar a fechadura da porta da casa, óbvio, só que ela fez uma das coisas mais bizarras que já fez comigo. Eu pedir pra ela:

- Mãe, me dá uma cópia da fechadura nova.

- Não.

- Por que?

- “Por que?”? Vai saber se você não tem algo a ver com esse assalto.

- ...

Agora me diz: POR QUE eu iria estar envolvido num roubo cujos objetos do assalto eram coisas sem valor e MINHAS??? Seria o ápice da cleptomania, mas foi muita esquisofrenia da parte dela.

 

Até hoje eu tenho alguma mágoa disso, então eu fico pensando: "o que dar de presente pra minha mãe no dia das mães?

 

PS. Cheguei à conclusão que seria um ótimo presente se eu devolvesse as coisas dela daquele dia.

Escrito por Oscar Filho às 15h05
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