Há uns 5 ou 6 anos eu fui pra Goiânia trabalhar e meus colegas e eu saímos pela cidade pra comer. Paramos num lugar chamado Padaria Paulista. Aí eu pedi:
- Por favor, pode me trazer um pão na chapa?
O cara teve uns micros espasmos meio como uma Kombi velha pegando no tranco. Ele anotou alguma coisa, os outros pediram e ele saiu. Depois de 10 minutos ele trouxe o que o pessoal pediu menos...
- E o meu?
- O seu é um?!??!!?????...
- Pão na chapa.
O cara vai embora meio hesitante. Ai eu já comecei a ficar meio neurótico com a situação. O cara demora 10 minutos e ainda não traz um pão na chapa? Não pedi pra me trazer por escrito a opinião dele sobre o sentido da vida. Juro, 5 minutos depois:
- Pão na chapa, né?
- Nossa se é! Por que tá demorando? Não tem?
- Tem sim. É deu um negócio lá na...
E saiu meio falando sozinho. Dois minutos depois ele volta:
- Esse pão na chapa é... Como é?
- Pelo... que... eu sei... você passa manteiga no pão e... torra.
- Mas passa manteiga onde? Em volta do pão?
Fiquei olhando pra ele e lembrando outras vezes que aconteceram coisas absurdas deste tipo. Como daquela vez em que eu estava num restaurante japonês e pedi:
- Pode me trazer um limão espremido, por favor?
Aí ele veio com um limão partido em 4.
- Não, não... Eu pedi espremido.
- Ah, espremido não tem.
Tô tentando entender até hoje como assim "limão espremido não tem"? Ele acha que limão espremido dá em árvore timo Maria Mijona?
- Cara, não tem muito segredo: você pega um pão francês, corta ele no meio, passa manteiga nele.
Ele continuou olhando pra mim como se esperasse mais informações sobre.
- ... e é isso!
- Ahhhhhhhh...
5 minutos depois ele trouxe exatamente o que eu pedi com o detalhe que a parte da casca do pão tava quase queimada. Aí eu:
- Viu...
- Pois não?
- A idéia do pão na chapa é colocar a parte da manteiga pra baixo, entendeu? Pra ficar derretidinho e tal...
- Ahhhhhhhhhhh, nossa senhor, mil desculpas. É que eu não conheço esse nome não.
- Beleza. Me traz um pingado também por favor!
- Claro senhor!
E saiu. Eu fiquei resmungando pros meus amigos como que o cara era capaz de não saber que é um pão na chapa.
- Oscar, aqui é Goiânia. O cara disse que não conhece. Deve ser um costume só de paulistano.
- Beleza, mas por que colocaram o nome de Padaria Paulista? E POR QUE ele não me perguntou na primeira o que era um pão na chapa?
Começamos a contar outras histórias absurdas sobrde atendimento. Como uma vez que eu fui ao McDonald's e pedi:
- Me vê dez nuggets, por favor?
- Como senhor?
- Dez nuggets.
- Não entendo senhor!
- Nossa, mas... Dez... nuggets.
- Ainda não...
- Existe outra forma de pedir nuggets?
- (com cara de estranhamento como se estivesse vendo o governador José Serra pelado) Senhor...
- Meu Deus! Nuggets... nuggets... aquele negocinho de frango...
- (afirmando muito arrogante) Ahhhhhhh, o senhor quer UM nugget com dez!
Claaaaaaaaro!!! Lógico, do jeito que eu estava pedindo era IMPOSSÍVEL entender... Pra mim UM nugget é UM pedaço de frango não uma CAIXA com frangos.
- Quanto é?
- Oito e cinquenta.
- Oito e cinquenta?
- Sim!
- Como assim oito e cinquenta?
- Ué, senhor (primeira vez que eu vi alguém falando "ué senhor") oito... e... cinquenta...
- Ahhhhhhhhhh, você quis dizer oito REAIS e cinquenta CENTAVOS...
Voltando a Goiânia. Depois de 10 minutos, eu juro que o garçon voltou pra mesa e perguntou:
- Senhor... Esse pingado... É alcoólico?











